sábado, 28 de agosto de 2021

fui acertado desprevenido

Uma crise forte me acerta desprevenido, meu corpo fica pesado e meus pensamentos muito densos, o tempo novamente fica desregulado e tudo se parece muito rápido e em câmera lenta ao mesmo tempo, novas guias são abertas para eu procurar na rede global de computadores o motivo de eu querer tanto morrer. Os assuntos triviais a minha volta não me alcançam pois eu nem estou aqui.
As vozes soam como ameaças confortadoras, eu leio todas as palavras distorcidas e escrevo para fugir de mim e então me desentendo com meus próprios sentimentos... auto agressão silenciosa pois a culpa em meu peito está me sufocando, as lágrimas são bombas nucleares incapazes de serem lançadas, as mãos tremem e a visão perde o foco, a vida perde todo o sentimento e tudo o que eu sinto é que devo morrer.

Eu sou um lixo. Um pecado. Um câncer.

Apenas um suicídio ainda não realizado.

eu me esqueci

Em que estação eu estou? Naquela em que o frio queima e o amor congela. Meu medo de perder sempre foi tão imensurável que eu escolhi me esquecer.

Meu reflexo está desconfigurado e eu não me reconheço mais, sinto nojo da imagem que eu vejo.. eu sinto nojo de ser quem eu sou. 

Eu sinto minha barriga queimar de ódio de ser essa pessoa repugnante. Uma necessidade crescente de me acertar com o máximo de força que eu conseguir juntar um meus punhos fechados.

Eu me escondo em minhas próprias palavras.

Demasiadamente contraditório, me seguro para não abandonar as preces que fiz desejando por uma vida de mentiras.. a perfeição da luz avermelhada da lua me permite ver uma luz no fim do túnel.. o caminho para a vida feliz é morrer, e desse mar de arrependimentos eu me afogo sorrindo.

buscando perdão em silêncio

Eu aprendi que devo buscar perdão em silêncio, desde muito cedo eu já sabia que as minhas piores lutas seriam contra a minha própria mente.. eu já sabia o meu destino mesmo quando eu ainda não sabia quem eu era. A dor invisível que tenta me derrubar diariamente sabe todos os meus pontos fracos, as Onças estão muito perto de me alcançar mas eu não me desespero pois essa já é a minha rotina.. mesmo isso sendo o meu dia a dia eu não baixo minha guarda por que eu sei que é esse momento de desatenção que as Onças estão esperando para me dar o golpe final.

Eu me olho no espelho e o reflexo que eu vejo me dá nojo com essa aparência horrível. 

Outro dia de rotina acompanhado de melancolia tenta me pegar de rédeas curtas e me sabotar mas é ineficaz pois auto sabotagem vem sempre em primeiro lugar quando eu acordo nesses dias sem cor. Eu bebo água para saciar uma sede infinita por vida, eu esquento meu prato de comida ansiando por sabores que nunca serei capaz de degustar, eu me deito para dormir tentando alcançar meus sonhos de eternidade. Dissociar dessa minha realidade e me desconectar da minha própria mente para conseguir chegar fim do dia..

Meu peito está pesado de tantos arrependimentos e meus passos lentos pois eu cansei de ter pressa em chegar a qualquer lugar. Eu tenho dúvidas das minhas certezas e agora encontro certezas em minhas dúvidas, eu evito olhares e desvio das palavras sensatas que me aconselham a ser quem eu não sou.. Não há mais espaços para novos erros, eu estou no limite do precipício perante uma queda sem volta e sem precedentes, outra dor de cabeça me deixa fora de funcionamento.

O tempo quente e seco me deixa deixa distraído e desfocado e a falta de sensibilidade das pessoas me deixa ligeiramente irritado.. eu perdi quase todas minhas válvulas de escape em prol de algo e agora o preço disso está mais caro do que posso pagar. O céu azul me indica outra vez que eu não sei mais o que eu devo escrever e mesmo assim eu me forço a não desperdiçar minha energia com nada além da escrita.
Esses textos são o meu último abrigo.

quinta-feira, 19 de agosto de 2021

19/08 - me procurei e me perdi na procura

Estou me procurando. Eu me perdi e agora não consigo mais me achar. Quem eu sou? Apenas o eco de alguém que costumava ter sonhos felizes. Aonde estou? Não sei e sinceramente não quero saber. Como estou? Perdido dentro das minhas próprias criações abstratas. Qual o caminho correto? E qual o errado em errar?

19/08 é uma data que me prova o quão profundas são as minhas raízes, mesmo sem lembrar o motivo eu passei o dia todo incomodado com algo.

c a i R

Estive muito perto do sol e eu senti minhas asas de cera borbulhando com o calor insuportável, eu vejo meus dedos tentando segurar em algo firme e sólido e que me impeça de cair.. eu quero cair em tentação e sofrer todo o mal que mereço.

débito

Em débito com a morte pela minha falha em não cumprir com a minha promessa, Cidade Miserável está a beira do precipício e essa sensação é viciante.. um dia muito mais denso do que o comum e mesmo sem qualquer motivo aparente eu me sinto pressionado e ofegante.. algo está errado na ordem natural das coisas e eu sei que sou eu e minha existência hedionda. Um câncer maldito que deve ser erradicado em radioterapia intensiva... eu sou um pecado em forma humana. 

Minhas mãos tremem se negando a acreditar que eu ainda teimo em não desistir. 

Meu corpo não é vazio pois eu sou cheio de tristezas e arrependimentos, e o ônibus que eu subi me leva pra onde eu preciso estar mas não aonde eu queria chegar.. esses ruídos infames dessa cidade cinzenta e sem alma não param nem em respeito por aqueles que querem saborear o gosto da paz de espírito nem que fosse por 5 meros segundos.
Eu quase consegui me acalmar e escapar dessa tempestade mas então eu notei que aqui é minha morada e que eu sou um sobrevivente que não quer mais sobreviver. 

Minha percepção do tempo fica desregulada e tudo fica muito rápido, muito mais denso do que eu posso aguentar.

1 em 1

A cada dia uma nova provação, a cada passo um novo tropeço.. a cada respiro uma nova frustração. Não é justo eu ter todos os meus sorrisos roubados por um mundo cinza, não é justo eu viver essa batalha diária em busca de uma vida onde eu apenas queria viver.. não é justo mas é assim que as coisas são, e a única coisa que eu consigo fazer é serrar bem firme os dentes e aguentar. O mundo não é justo e para ser sincero eu sei muito bem que eu não mereço uma vida tranquila e alegre.. eu sei que tenho que me afastar de todos que eu amo para evitar machuca-los, eu sei os meus deveres e o que preciso fazer daqui em diante.

De olhos fechados procurando por uma ameaça que me faça sentir 1 em 1 milhão, eu sou a história de um fantasma sem glórias.. boas intenções dilaceradas por despedidas sem um último adeus, sarcasmo incompreensível, conversas são diluídas pela demora em decidir o que quer, o arrepios sinistros quando acordo em meio aos meus sonhos suicídas..

Alto demais para conseguir ser compreendido e devagar demais para conseguir ser descartado, rotina sufocante ilustra piora repentina... as paredes de uma fortaleza suprema feita para que eu não consiga expressar meus sentimentos, um sonho quase me fez chorar e quando eu acordei eu lembrei daqueles tempos onde eu era apenas uma criança.. na ponta dos meus pés sentindo a brisa leve e tudo que eu faço pra me suportar... eu me esqueço sutilmente de me desculpar pela minha ausência constante com todos aqueles que se preocupam comigo.

Trilhando um caminho sem volta em velocidade máxima se preparando para ...

Dor invisível

Eu sinto os olhares estranhos tentando me ver cair, e eu sei que ninguém sentirá minha falta.. uma tempestade me incentivou a querer me odiar ainda mais e eu sei que eu sou o meu pior inimigo e mereço morrer de uma vez por todas. Eu mereço uma morte lenta e dolorosa.

rotina mental

Devagar enquanto perco a direção eu me mantenho firme, a instável rotina mental me ajuda a me deixar em estado perigoso.. eu nunca tive medo da morte e eu sempre gostei desse jogo... sem inspiração eu me forço a continuar escrevendo sem pausas para que eu seja salvo dessa nova tempestade.
Eu não consigo mais fingir que está tudo bem, não consigo mais sorrir quando estou tão triste... o colchão gelado não me esquenta e o travesseiro desconfortável não me ajuda a dormir...

A vida não é o milagre divino.. eu me calo para me auto sabotar, perco meus todos os meus momentos em nome de um certo sentimento.. eu obedeço as regras impostas pela minha mente, eu assisto sem fôlego a desconsideração demonstrada nas decisões que eu deixo de tomar. Eu deixei todos meus laços serem castrados em prol de uma dor que achei que compensaria... meu prazo de validade expirou e agora eu sou um lixo em decomposição que se nega a cair.

Os espaços entre as minhas palavras é muito mais valioso do que as controvérsias cotidianas que eu planejei viver, me encontro caindo em velocidade máxima descontroladamente e a contagem regressiva finalmente vai acabar..  eu me esqueci de me desconectar do meu passado e eu juro que tentei ser feliz.. Quero encontrar com Jesus para que ele possa me dizer onde foi que eu errei...

(...) em meus sonhos eternos

Eu desejo que em meus sonhos eternos eu consiga respirar com calma e sentir o calor do sol esquentar meu corpo e a brisa leve no rosto e ver o azul do céu contrastando com as nuvens e que com o cair da noite eu possa observar as estrelas brilhando e a lua me abençoando.. quando eu era pequeno tudo o que eu queria era ser imaginário e não me sentir tão culpado por atrapalhar a todos, esse vazio que me assombra e a vontade de me abraçar forte com a morte que me seduz... quando foi que eu perdi o controle?
E todas as palavras que eu disse em vão, todas as noites que eu passo em claro almejando o fim disso... um ciclo vicioso infinito onde não importa o quanto eu tente melhorar eu sempre acabo sendo pego em meio a essa tempestade...

Eu sei o quanto vou decepcionar a todos e eu sei que não mereço suas lágrimas.. perdido em um caminho sem escolhas e sem voz perante um destino cruel.. quero que minhas fotos sejam queimadas e meus vídeos deletados, que minha voz seja esquecida, que meus sorrisos não sejam mencionados e que minhas risadas sejam enterradas, que minhas memórias sejam apagadas pois eu não quero que minha triste existência seja lembrada por nenhum daqueles que eu tanto machuquei.. eu sou um pássaro que não ama voar livre pelo céu, eu sou apenas um suicídio ainda não realizado.

Vida abençoada pela miséria e fracasso, todas as conquistas que consegui são apenas falsas e todos sabem disso, minha colheita é escassa pois eu nunca semeei nada em minhas terras e todos os meus sonhos infantis são apenas uma desculpa para dissociar dessa realidade, seguindo uma conduta disciplinar questionável junto com meus atrasos constantes sempre mostram que não existem chances de melhorar, minhas objeções com detalhes cotidianos imperceptíveis aos demais olhares e minha obsessão em não planejar um futuro realista são apenas falhas de caráter.. em completo contraste com quem desejava ser eu guardei milhares de mágoas em meus pulmões e desaprendi a me expressar.

Quero me deitar para dormir em plena paz por toda eternidade.. eu finjo não ver os reais motivos dessa tempestade mas somos faces opostas da mesma moeda (para falar a verdade somos a mesma face da mesma moeda), e a Ausência parece ser a solução.. sinto-me muito parecido com alguém que eu costumava odiar. Lidar de frente com a raiva e o estresse de forma saudável me relevou que eu não quero ser salvo. Eu sou meu pior inimigo, incontestável que eu estou preso em um mundo onde eu grito em silêncio por ajuda apenas para manter aparências perante aqueles que fingem que vão se importar se eu morrer.
Quero me deitar em plenitude enquanto engasgo com meu sangue e minha vida se esvazia desta minha casca vazia, eu estou no meu limite...

Um desabafo de um crise silenciosa.

O sol queima ferozmente com uma fúria digna de um verão, o calor gelado do inferno é o meu destino final. Confiável até o ponto onde a visão turva e as pupilas ficam dilatadas por questões ilegais.. meu passado pesa mais do que a pena, julgado fui e condenado estou.. Fadado a nunca sentir a alegria me alcançar. As Onças estão me farejando pelo cheiro dos meus maiores medos, a Cidade Medíocre tem pouco tempo restante antes de ruir e desaparecer perante a supremacia da realidade.

Desespero intensificado pela ansiedade soa urgente em meio aos meus momentosde silêncio e reflexão, sou um incêndio sem fumaça. Tudo isso é em vão.
O ar está estranhamente calmo por aqui nesse momento de crise existencial... o pulso arde em uma dor latejante sem sinal algum de que vai amenizar enquanto eu ainda respirar... a química do deserto infértil que é a minha mente é o que me faz parecer as turbulências dessa viagem... curiosamente me encontro em uma contradição ao buscar ajudar mesmo não querendo mais estar aqui. A incógnita da mentalidade dos suicídas é o meu passatempo. Respostas sem perguntas em uma infestação de solidão.
Aquele ódio que a muito havia sido selado agora está de volta, livre e solto me enlouquecendo, ele está se instalando nas infiltrações dessa Cidade Medíocre buscando me atingir quando eu menos esperar... estar no controle está cada vez mais difícil...

O corpo se sente fraco e as palavras vazias, os atos se tornam insignificantes e os olhares falsos... em busca de algo que nem sei se é possível.. o tempo sem pressa alguma me diz para que eu me apresse pois ele tem muito pouco tempo para gastar comigo... o chão gelado me renova em meu cárcere mental.. será que eu fui forjado em um molde amaldiçoado?
Jesus Cristo me prometeu não me salvar.
Ao horizonte vejo a liberdade com a minha morte, Sr.s eu estou ciente que sou um câncer.

E o meu destino já está... "(...) está tudo bem quando se está sofrendo e sente a chuva..." eu queria conseguir chorar quando estou triste, eu recito esses pensamentos em silêncio andando para mais um dia capitalista..