domingo, 31 de janeiro de 2021

Textos da rotina

As coisas andam muito estranhas por aqui ultimamente e eu não sei ao certo o que está acontecendo, eu acordo muito cedo para me atrasar e durmo tarde o suficiente para não descansar, problemas se acumulam em meus bolsos, sentindo tudo ruir lentamente e perdendo o controle da situação, ausência está voltando e eu não sei se consigo lidar com isso.
Meu desespero tenta me aconselhar para eu não me desesperar, minha consciência está pesada pelas vezes que eu quase deixei a morte me abraçar.

A bagunça das minhas ações são um filtro para disfarçar minha vontade de sumir, eu culpei a vida pelos meus problemas e então me culpei pelos problemas do mundo. Eu sou o pecado. Mereço morrer.
De volta ao tempos tempestuosos, a mercê dos ataques iminentes do inimigo... quem de nós irá vencer?

A deriva com meus piores pensamentos, meus erros de agendamentos me destroem, a caminho do serviço para estragar mais uma vez a vida de todos a minha volta.
Aranhas horríveis estão me mantendo em um cativeiro que eu mesmo construí, paralisado pelo medo de voltar a acreditar que eu possa ser feliz... agradecido pelas cicatrizes do meu passado que me ensinaram que eu não mereço ser amado, que eu não tenho o direito de sorrir. Eu me transformo em um fantasma dentro da minha própria mente. Refém da ideação suicída. Compondo canções que em algum momento se irão se tornar meu testamento...

Mais um dia de céu azul vibrante como a cor do mar, de nuvens claras e honestas, ventos de felicidade e alegria.. tudo o que eu quero é que isso acabe de uma vez por todas. Tudo o que eu vejo é cinza, sem alegria alguma na vida, sem sabor e sem tesão, sem sorrisos e sem lágrimas.

Meu mundo é cinza.

Uma noite quente e divertida para me aquecer de ódio.
O mesmo padrão está se repetindo, os meus erros, e o brilho das estrelas mortas ilumina meu olhar faminto por algo que me faça morrer, eu sou o guardião dos pecados.. eu sou o pecado.
Como ser forte quando eu não acredito em nada?
Estresse cria raízes pela minha pele liderado pelos gatilhos externos, implorando por novos ares, novas formas de tentar me sobressair contra essa vontade de morrer, o quarto já está ocupado com caixas e mais caixas das minhas reclamações.. nada disso importa.

Outra rodada de desespero adoçado com amargura, mais um gole seco para me manter acordado e preso com meus pés na lama, pois toda vez que os céus choram eu lembro do velório e toda vez eu me lembro de você. A dor impossível de descrever vai me apagando aos pouquinhos.
Os ossos doem e a pele se irrita com tanta comoção das alegações que estou em perigo. A hora não corresponde aos pensamentos, a fome não pode ser saciada. Olhar para a janela em busca de algo que possa me acalmar... o pulso latejando é um anúncio de tudo está de mal a pior.

Eu me afogo em remorso, estou em um oceano profundo composto de todos os meus pecados, atitudes me encaminham diretamente aos braços do suicídio.
A lua uma vez me disse que iriae enforcar e o sol me contou que vai ajudar, os dias que eu estou em guerra são os mais propícios para eu me... aguentando todas as ondas e a recaídas severas... serrei meus dentes e me preparei para o impacto... por favor, me perdoem.

Eu desejo a todos muita paz e felicidade, sorrisos leves como o verão, abraços calorosos e muito amor. Desejo que me esqueçam, que queimem minhas fotos e eu imploro para que me odeiem, esqueçam minha voz e minhas feições.

Eu vou me matar.

O tudo e o nada.

O sol está em seu auge, os carros estão com pressa e as pessoas andam sem olhar umas pras outras. As ruas estão quentes e o horizonte cinzento, a mesma rota na mesma rotina no mesmo dia a dia.. nada nunca muda por aqui, essa cidade é cruel demais para se importar com a minha dor.
Eu sempre sei o que falar e eu sei que estou atrasado mais uma vez, sou pego de surpresa pela mudança no caminho do ônibus e acabo me distraindo com esquinas que nunca vi em minha vida e mesmo assim são tão nostálgicas que chegam a me fazer lacrimejar.

As nuvens brancas como a neve e o céu azul como minha tristeza fazem contraste com o cinza dos prédios, um dia tão lindo desperdiçado pelas mentiras contadas pelo deserto infértil que é a minha mente. Eu não acredito que sou capaz.
Eu não acredito que mereço ser feliz.
Eu não acredito que eu mereça tudo que tenho. Eu sei que não mereço.

Acordes desafinados ecoam na minha cabeça e então escrevo letras na língua de anjos maléficos, canções nascem dos meus piores momentos, a música se torna um caminho estreito e eu não sei se isso será minha salvação ou então meu último testamento.

Atenção, senhoras e senhores, este homem aqui está prestes a ter uma pane geral, um momento único e muito especial e todos vocês estão convidados a presenciar a queda. Os sistemas centrais estão totalmente sobrecarregados e o painel não está mais funcionando corretamente, o silêncio precede um momento muito ruim.
Eu estou sempre pronto para o pior.

Já passam das 19 horas e a exaustão mental está no auge, nesse momento até andar e falar se torna muito cansativo, a única opção que me resta é escrever.. escrever e escrever até que eu tenha superado essa turbulência.
As luzes estão fracas e o caminho é serrar os dentes e aguentar o tranco.
A distância entre meus passos é calculada com os batimentos cardíacos e minha respiração está absolutamente sobre controle. Quem sou eu?

Todas as palavras que gastei em vão, meus cotovelos estão inquietos e meus joelhos não sabem como reagir, acho que talvez seja melhor eu correr para me acalmar e talvez seja melhor gritar para tentar silenciar. Silenciar tudo. Sou conduzido pela minha memória nesse caminho rotineiro e isso é o que me salva pois sinceramente tudo o que eu agora é poder me sentar e ficar quietinho...

Quantas foram as pessoas que eu salvei ao me sacrificar? Quanto mais eu tenho que aguentar para vencer essa maldita guerra?
Impaciência transbordando em forma de irritação.. Meu tesão é apagado, as cores se tornam transparentes e os sabores deixam de existir, os sorrisos são forçados e mais uma vez uma tempestade chega querendo me ver cometer suicídio. O ar pesado, os pensamentos dissipam perante o som das ambulâncias...
Eu estou no meio fio de uma avenida tentando ser atropelado, eu estou no parapeito dos meus piores temores tentando sobreviver.

Eu vou conseguir vencer essa guerra?

A demora para esclarecer comigo mesmo meus próprios problemas me deixaram preso um bola de neve, indagação em prol de uma melhora me faz ter uma recaída muito agressiva, me sinto inspirado pelo azul do céu (ele é tão sereno que me deixa com inveja). Queria dançar e comemorar que eu estou vivo, que estou respirando, que sou capaz de sorrir e amar, beber, fumar, gozar, chorar e sentir... mas isso seria apenas uma atuação pois eu praticamente não sinto mais prazer algum algum em viver.

Dívidas com a morte se acumulam pelos cantos do meu coração tristonho, o cansaço das minhas ações é apenas reflexo de uma longa batalha para estar aqui.
O território desse tereno é nobre, e eu já vivi muitas outras vidas em meus sonhos e agora nada mais disso é capaz de me fazer dormir... entre meus dedos eu sinto esvair minhas chances de ser alguém melhor, eu sinto que talvez seja o momento apropriado para recuar e tentar uma trégua.

A realidade pode não agradar a todos e machucar alguns, as horas voam e eu nunca consigo produzir nada... as minhas falhas se acumulam e todas acabam se tornam um doloroso remorso que me assombra toda vez que eu tento dormir.
Dormir é uma dádiva concedida apenas para aqueles que não tem medo de viver.
Arrependimentos me protejem de  pesadelos até o raiar do sol iluminar meu quarto... quando eu vou ter paz?

Eu entrego palavras motivadas para que eu consiga me convencer, o tempo definitivamente não é meu aliado nessa guerra. Caos ponderado numa terça-feira absolutamente rotineira, a espera é um raro momento de calma na minha cabeça e a fome por algo a mais me mantém motivado a continuar tentando, os perigos do mundo não são nada comparados ao perigo que eu sou a mim.

Cego demais pela minha incompetência para conseguir ver uma maneira de alcançar uma vitória, fugindo dos pensamentos obscuros que querem me derrubar e desviando das dicas de novas maneiras de cometer suicídio deixadas pelo destino... negando que estou numa péssima situação, caçando a direção que possa me salvar, e eu sinto que estou pronto para me matar para que eu não me mate.

Os cacos de vidros jogados pelo chão não machucam meus pés pois esse vento forte corta muito mais, dormir ainda é difícil e comer se também se torna um escape da contradição. O barulho das avenidas abafa meus gritos por ajuda, as luzes da cidade me guiam de volta para lugares que eu queria esquecer... tudo se torna muito mais pesado do que posso suportar e as coisas estão muito mais rápidas do que eu consigo acompanhar.

O valor dos meus atrasos que só eu sei qual é, o descaso pelas minhas boas ações, a densidade negativa de todos aqueles pensamentos, as vezes que eu não consegui dizer como eu me sentia.
Os moldes do tempo agiram de forma tão precisa que chega a ser assustador.
Eu escrevo e escrevo e escrevo.. textos e mais textos apenas para tentar explicar como que eu me sinto para amenizar a dor que eu sinto em cicatrizes antigas.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Dia 21 do ano 21 do século 21

Tremores são um alerta de uma tragédia iminente que ainda não foi anunciada, as ruas cheias de almas vazias e eu me perco em sonhos de novo.. o calor de Janeiro é tão insistente quanto meus pensamentos suicídas, meus óculos estão arranhados e a dor no meu pulso se tornou rotina. Dormir é um privilégio daqueles que não tem medo de viver, sorrir e ser feliz é um sonho capitalista.

Meu coração tristonho está sereno com a condição deste contrato.. eu firmei em cartório a data que eu vou morrer e então eu jurei que eu vou viver.

É muito mais difícil achar meu caminho quando a fome de lágrimas me deixa desnorteado, com as luzes queimadas e as contas atrasadas eu me deito e com desgosto eu me levanto. O café da manhã de hoje foi melancolia e a janta será remorso.
Os sons da cidade de desconecta de tudo que poderia me fazer alguém melhor, meu fone se ouvido tenta me distrair desse momento obscuro.

Com Amor, ó Sr.DeuS, por favor, me permita voar.. me permita sorrir, chorar, sonhar... Jesus, enquanto todos querem alcançar os Céus ao lado do Senhor eu apenas quero que você me perdoe pelos pecados que eu ainda vou cometer.
Eu não sou o suficiente para ter sua bênção e muito menos para sua misericórdia. Eu imploro para que eu consiga me banhar nas águas que você transformou em vinho, eu sou um mártir daqueles que desistem antes de tentar.

Eu fingo estar no controle, mais uma vez uma nova tempestade chegou sem aviso, melodias sobre amor derramadas em meus ouvidos são a minha trilha sonora para mais uma turbulência.
Eu acordo e visto minhas mentiras e meus pecados e então coloco meus sapatos, o gosto amargo da derrota está no céu da minha boca, as água do banho me deixa em segurança enquanto tento me acalmar...
Digo palavras d determinação em não desistir para reafirmar quem está no controle.

Isenção de culpa não é a melhor maneira de seguir em frente com aqueles que me destruíram mas é a única forma que eu encontrei de fazer isso funcionar... meus pulmões estão cansados e minhas pernas exaustas de correr em círculos em busca de redenção. Palavras ditas com olhares me deixam desconfortável, palavras ditas verbalmente me deixam ainda mais em um momento muito perigoso.

Escrito em 17 de novembro de 2020

A minha mente tenta me matar, meu coração tenta ma acalmar.. existe algo dentro de mim... um vontade inexplicável de morrer.

E em silêncio eu me mantenho firme.

Eu vou vencer a guerra e superar tudo isso.

... olá. .. estou de volta

Olá, estou de volta.. tudo bem?
Este velho bloco de notas se torna meu escape..
Apenas mais 5 passos e eu poderia morrer finalmente... eu vi um filme que me inspirou.
Poder finalmente dar um fim nisso tudo novamente é tudo que eu almejo.

Seja no viaduto do Chá ou esmagado pelo metrô.. sangrando após ser atropelado ou envenenado.
Quero sentir o desespero da vida se esvair, a sensação iminente do vazio que é a morte.

Eu sou meu maior aliado e meu maior inimigo.

d e p r e s s ã o

Como descrever?

Nos últimos 10/12 anos eu convivo com uma inquilina.. ela chegou muito quieta e simpática, muito calma e sensata, muito adulta e responsável. Ela me viu nos meus melhores momentos, melhores amigos, melhores vitórias.. ela assistia em silêncio mas sempre me julgando. Passei a última década inteira em uma eterna guerra sem fim para decidir qual de nós tem mais poder, mais voz, mais determinação.

Eu tenho depressão.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

1 ano

Hoje completa exatamente 1 ano que eu descobri o que é o verdadeiro desespero.. o sabor do café estava na medida certa para me ajudar a aguentar este dia... no ônibus eu vi nossas fotos, nossos vídeos e dói tanto que fica difícil respirar.
Eu ainda me lembro como se tivesse sido hoje de manhã da ligação que me fez perceber que o mundo nunca maia seria o mesmo. A ligação que eu sabia que estava próxima mas que no fundo do coração eu desejava que nunca acontecesse, aquele momento que eu queria fugir dessa realidade sem você, quando eu descobri que a senhora não iria mais brigar comigo, nem esperar minha visita, nem brincar, nem me dizer que me amava.

Foi quando eu descobri o que é o verdadeiro desespero.

A ligação que eu recebi pouco depois das 7 horas da manhã, eu estava atrasado e a caminho do meu serviço.. na mesma hora que eu vi que estavam me ligando eu já sabia exatamente sobre o que se tratava.

"A vó foi descansar, essa noite, ela foi... embora"

Menos de 30 segundos.. e tudo o que resta é uma saudade que arde em meu peito e queima quando eu me lembro.